Skimboard em Ondas | Wave Skimboarding – OndaSkim

O Legado do Skimboard Brasileiro

Pedro Maioli é um Skimboarder do Espírito Santo, no Brasil, e nos conta um pouco da trajetória da mídia do Skimboard Brasileiro:

Pedro Maioli é um dos destaques amadores do estado. Foto: Arquivo Pessoal

Pedro Maioli é um dos destaques amadores do estado. Foto: Arquivo Pessoal

 

No Espírito Santo, era comum vermos o disco redondo de madeira ou pranchas feitas de polietileno deslizar pelas areias e ir de encontro às ondas. As manobras não variavam muito, ou era jogar água na cara do amigo, o que gerava grande zoação e empolgação, ou dar uma pirueta. Os aéreos com essas ‘pranchas’ era algo difícil, geralmente realizados por quem surfava muito ou andava de skate.

Canote mostrando o que é o Skimboard. Foto: ESkim

Canote mostrando o que é o Skimboard. Foto: ESkim

Foi então que tive o meu primeiro contato com o real skimboard. Vi Marcus Orelha, Canotti e Lucas Pato surfando aquelas ondas que quebravam na beira com uma fluidez nunca vista. Era apenas um pedacinho do paraíso que eu estava prestes a desfrutar.

Paulo Prietto em The Wedge, Califórnia. Foto: Joe Bailey

Paulo Prietto em The Wedge, Califórnia. Foto: Joe Bailey

Trocando ideia com aqueles que eram meus ídolos, conheci de fato o verdadeiro skimboard. O youtube dava passos largos na sua popularização dentro da internet, mesmo com vídeos pixelizados. E vendo um desses vídeos nos fóruns das comunidades do saudoso Orkut, me deparei com a parte do Paulo Prietto no filme Sicky Rolla, em que ele, em The Wedge, pula de seu skim para um bodyboard em uma onda cabreira. Acho que foi nesse momento que eu quis verdadeiramente me dedicar a esse esporte.

Bill Bryan, a maior lenda do Skimboard moderno. Foto: Joe Bailey

Bill Bryan, a maior lenda do Skimboard moderno. Foto: Joe Bailey

A internet e o skimboard andavam juntos no Brasil. A popularização da web contribuía diretamente para que todo o conteúdo americano tivesse influência no Brasil, tanto em termos de manobras quanto na tecnologia do material. A ForeverSkim (talvez a maior revista que o mundo do skim já teve) era ovacionada a cada edição nova, porém seu conteúdo era em inglês (óbvio) e eu não tinha (nem tenho tanto hoje em dia) domínio para saber o que realmente estava rolando além das imagens e vídeos.

A foto que colocou a Praia da Sununga no mapa internacional. Foto: André Magarão

A foto que colocou a Praia da Sununga no mapa internacional. Foto: André Magarão

Aproveitando dessa necessidade e vendo um público adepto crescer exponencialmente, começaram a surgir blogs no Brasil. O primeiro, Nação Skim, foi o pioneiro na divulgação das praias cariocas e nas trips. Foi por causa deles que a praia da Sununga é o que é hoje. Foram os primeiros a mostrarem o potencial dessa sider, junto dos lendários vídeos de Marcelo, Medrado e Vuca.

Nação Skim era o blog sobre Skimboard no Brasil há uma década atrás.

A geração seguinte pegou o vácuo deixado pelo Nação Skim e aprimorou o conteúdo. Surgiu o Zero Skim, e, logo depois, o Zona Skim (http://zonaskim.blogspot.com.br). Nessa altura eu já acompanhava de perto o conteúdo dos meus contemporâneos, fazendo crescer em mim a necessidade de também divulgar o que a molecada mais jovem do Espírito Santo estava fazendo. O Zona Skim trouxe um ar escrachado e divertido para o skimboard nacional. Levou músicas maneiras (como o Rap do Silva) e linguagens (gírias) nada convencionais vistas até então. A tal da brasilidade. Apoiados pelo grande Magarão, vimos através de suas lentes crescerem atletas que hoje são grandes skimmers como Lucas Gomes “Caco”, Lucas e Matheus Chiabi, e Guilherme Vaz “Hantaro”. Virou Brazil Kids, pararam na ForeverSkim e fizeram parte do grande reconhecimento internacional do skimboard nacional.

Os vídeos dos Brazil Kids rodaram o mundo com as publicações da FSM.

Na mesma pegada, também no Rio de Janeiro, a galera da Zona Oeste fez crescer o SkiMacumba. Produzido por uma rapaziada um pouco mais velha, a galera da Praia da Macumba trouxe textos mais padronizados e diversos projetos com a experiência do multiesportista Bzinho Picorelli. Essa galera também foi responsável por atrair grandes patrocinadores nos eventos na capital fluminense.

Allan Gobbo, um dos representantes do Skimacumba. Foto: Skimacumba

Allan Gobbo, um dos representantes do Skimacumba. Foto: Skimacumba

 

No Espírito Santo, tínhamos o Espírito Skim, composto por grandes lendas do skimboard local como Fernando Ribeiro “Fino”, Wagner Júnior, André Boechat “Dedé” e Hugo Zandonadi.

O ESkim descobriu diversos picos capixabas e oficializou grandes points, como a Praia da Costa (que quase não havia locais nessa época), o Barrão (onde nem existia skimboard e hoje temos grandes talentos criados lá) além do pico ESpot, talvez a grande descoberta desse grupo.

Dedé e Wagner  em Camburi, cedo. Foto: ESkim

Dedé e Wagner em Camburi, cedo. Foto: ESkim

Todos esses blogs, Espírito Skim e Zona Skim, se uniram no site SkimBrasil, plataforma criada por André Magarão, com o objetivo de unificar o esporte no Brasil e criar esse intercâmbio cultural gigantesco. Posteriormente, no Espírito Santo, criamos o OneSkim, que por sua vez deu lugar ao Vitória Skim (os mesmos integrantes do SkimCamburi), e também conquistamos um lugar no site de Magarão.

Munir Ruffo, foto clássica no Skimbrasil. Foto: André Magarão

Munir Ruffo, foto clássica no Skimbrasil. Foto: André Magarão

Guilherme Vaz em Itacoatiara. Foto: André Magarão

Guilherme Vaz em Itacoatiara. Foto: André Magarão

Hoje, a difusão nas redes sociais deu amplitude a atletas, equipes e patrocinadores. A internet teve papel fundamental para que o skimboard conquistasse seu espaço nos esportes de ação. Afinal, que surfista ou bodyboarder nunca ouviu falar de Brad Domke, que tem um programa SÓ DELE no Canal Off, o maior canal de esportes de ação do Brasil?

A maior onda em um Skimboard. Video: Dylan Palmer

Conquistamos o reconhecimento nunca imaginado, e toda essa evolução não tem nem 10 anos! O intercâmbio cultural entre Estados e países se deve exclusivamente a força de vontade dos antigos skimmers, que viram nos blogs a oportunidade de divulgar suas vivências e praias a fim de evoluir e impulsionar o esporte dos quais somos apaixonados. Esse movimento contribuiu para que skimmers isolados nos mais diversos picos do Brasil, onde o skimboard não tem tanta força, pudessem trocar suas experiências e comprar materiais de qualidade.   

Encontro em Camburi, ES. Foto: Skim Camburi

Encontro em Camburi, ES. Foto: Skim Camburi

A cada nova mídia voltada para o skim surge um novo produtor de conteúdo com vontade de alavancar, através de novas propostas e sonhos, atletas com grande futuro. Veremos em breve um brasileiro ser campeão do UST, basta olhar a história do skate e do surf, muito similares a do skimboard.

Agradeço ao OndaSkim pela oportunidade de compartilhar um pouco do que vi e vivi durante esses anos e desejo todo o sucesso ao site e seus apoiadores nessa nova caminhada!

Um grande abraço da galera do SkimCamburi !

Para saber mais sobre o Skim Camburi, visite a página do Facebook: SkimCamburi